A eletrificação das frotas está a avançar, mas há uma questão que começa a ganhar importância nas empresas: como garantir que todos os veículos estão carregados quando são necessários, sem aumentar desnecessariamente os custos energéticos?
Imagine uma empresa com 20 veículos elétricos. Ao final do dia, regressam às instalações e são ligados aos carregadores. No dia seguinte, precisam de estar disponíveis para novas deslocações.
Parece uma operação simples. Mas será necessário carregar os 20 veículos ao mesmo tempo? Terão todos a mesma autonomia disponível? Precisam de sair à mesma hora?
Estas perguntas ajudam a perceber por que razão a eletrificação de uma frota exige planeamento energético, além da escolha dos veículos e da instalação de carregadores.
A infraestrutura de carregamento continua a ser um dos maiores desafios
Segundo o Arval Mobility Observatory – Global Fleet and Mobility Barometer 2026, um estudo internacional realizado junto de 10.157 decisores em 33 países, a infraestrutura de carregamento continua a representar um obstáculo importante à adoção de veículos elétricos nas empresas.
Os resultados revelam três indicadores relevantes:
68% apontam a infraestrutura de carregamento como um obstáculo à adoção de veículos elétricos ligeiros.
31% identificam o aumento do Total Cost of Ownership (TCO) como um desafio na transição das frotas.
66% já utilizam ou planeiam introduzir veículos elétricos nos próximos três anos.
Estes indicadores mostram que a mobilidade elétrica está presente nos planos de muitas organizações, embora persistam desafios relacionados com a infraestrutura e a viabilidade económica.
E, à medida que aumenta o número de veículos elétricos, também aumenta a necessidade de coordenar o carregamento com a operação diária.
O problema de carregar todos os veículos ao mesmo tempo
Considere-se uma empresa com 20 veículos elétricos e carregadores de 11 kW.
Se todos carregarem simultaneamente à potência máxima, a potência total solicitada poderá atingir 220 kW.
Mas e se apenas cinco veículos precisarem de sair às 7h00, enquanto os restantes só forem utilizados durante a tarde?
Nesse cenário, disponibilizar a mesma potência a todos os veículos desde o início pode não ser a estratégia mais eficiente.
A empresa poderá estar a criar um pico de procura elétrica que exige maior capacidade da instalação, quando parte da energia poderia ser distribuída ao longo das horas seguintes.
É aqui que o carregamento inteligente de frotas elétricas ganha relevância.
Através de sistemas de gestão de carregamento adequados, é possível programar horários, distribuir a potência disponível e definir prioridades de carregamento em função das necessidades operacionais.
O objetivo é garantir que os veículos recebem a energia necessária antes da próxima utilização, respeitando os limites da infraestrutura elétrica.
Nem todos os veículos precisam da mesma energia
Uma viatura que percorreu 40 quilómetros durante o dia poderá ter necessidades de carregamento muito diferentes de outra que percorreu 250 quilómetros.
O mesmo acontece com os horários de utilização.
Um veículo que precisa de estar disponível às 6h00 deve ser considerado de forma diferente de outro que só voltará a circular às 14h00.
Para organizar estas prioridades, o gestor de frota precisa de conhecer a utilização prevista, os percursos habituais, os horários de saída e, quando disponíveis, os níveis de carga das baterias.
Estes dados permitem estimar as necessidades energéticas e apoiar o planeamento.
Por exemplo, se a infraestrutura tiver uma potência limitada, o sistema de carregamento poderá atribuir inicialmente mais potência aos veículos com saída antecipada e distribuir a restante capacidade pelos outros.
Naturalmente, esta coordenação depende das funcionalidades dos carregadores, dos sistemas de gestão energética e das integrações disponíveis.
E quanto custa carregar uma frota elétrica?
O custo do carregamento depende da energia consumida, das tarifas contratadas, da potência disponível e das condições de utilização da infraestrutura.
Uma empresa pode conseguir reduzir a sua despesa energética ao deslocar parte dos carregamentos para períodos tarifários mais favoráveis, desde que isso seja compatível com os horários de utilização dos veículos.
Também é importante considerar os custos de instalação, eventuais reforços de potência, manutenção dos carregadores e utilização de postos públicos.
Estes fatores devem integrar o cálculo do Total Cost of Ownership (TCO) da frota elétrica.
Afinal, a viabilidade económica da eletrificação depende da forma como os veículos são utilizados e carregados ao longo do seu ciclo de vida.
O papel dos dados na gestão da mobilidade elétrica
Uma estratégia de carregamento eficiente começa por compreender a operação.
Quantos quilómetros percorre cada veículo? Durante quanto tempo permanece estacionado? Quando precisa de voltar a circular? Qual é o custo de utilização de cada viatura?
Ao reunir informação sobre utilização, percursos, custos e disponibilidade, o gestor consegue identificar padrões e fundamentar decisões sobre a eletrificação da frota.
Plataformas de gestão como o JAT Fleet ajudam a centralizar dados operacionais e financeiros, proporcionando uma visão mais organizada da utilização dos veículos.
Quando estes dados são considerados em conjunto com a informação dos sistemas de carregamento, podem apoiar decisões sobre prioridades, capacidade necessária e planeamento energético.
A gestão dos carregadores e a distribuição automática de potência dependem, contudo, de sistemas específicos e das integrações efetivamente disponíveis.
Eletrificar a frota exige pensar também no carregamento
A substituição de veículos a combustão por elétricos representa uma mudança importante na gestão da mobilidade empresarial.
Com o crescimento da frota elétrica, decisões como quando carregar, quanta energia disponibilizar e quais os veículos prioritários passam a ter impacto direto na disponibilidade operacional e nos custos.
Por isso, antes de investir em mais carregadores ou aumentar a potência contratada, importa analisar se a capacidade existente está a ser utilizada da forma mais adequada.
Uma frota com 20 veículos elétricos não precisa necessariamente de 20 carregamentos à potência máxima ao mesmo tempo. Precisa de garantir que os 20 veículos estão preparados para cumprir as suas próximas operações.
E essa diferença começa no planeamento.